The Bucklandian Theory – part I

Raymond Buckland

Raymond Buckland

Raymond Buckland é um iniciado Gardneriano que teve o importante papel de levar o Wicca para os Estados Unidos e foi responsável por uma massiva publicação de livros sobre assuntos paranormais e wiccans que, na sua maioria, nada valem.

Se pudermos destacar, das centenas de obras que resultaram da sua diarreia literária, dois livros de alguma qualidade, ficaremos com o seu conhecido Blue Book e a sua popular e interessante enciclopédia publicada pela editora Visible Ink em 2002.

Salvo algumas referências desnecessárias desta enciclopédia, pensava que o The Witch Book seria um livro de valor para qualquer estudante de Wicca e Neo-Paganismo. Mas esta minha opinião acabou por ser alterar um pouco quando fui alertado para uma estranha referência na página 414 sobre Alexander Sanders.

O culto anti-sanders foi cultivado a partir de Patricia Crowther quando esta não conseguiu reconhecer que do seio do seu próprio conventículo saíra uma Sacerdotisa que viria a iniciar Alex Sanders nos sagrados mistérios do Wicca Tradicional. Crowther sempre se recusara a iniciar Sanders, pois teria ficado chocada com todo o mediatismo que este desejava para a corrente, numa altura em que o Wicca – poucos anos após a sua formação – se encontrava já obsoleto com iniciados conservadores e sem grande vontade de divulgar seriamente a corrente. Sanders representou, então, a lufada de ar fresco que a tradição necessitava para continuar a respirar! O mofo e o bafio dos círculos gardnerianos corroíam os conventículos tradicionais que, pouco a pouco, iam morrendo a par das velhas sacerdotisas que Gardner teria iniciado. Toda esta revolução alexandriana chocou Patricia Crowther que acabou por ficar louca quando viu que o seu próprio conventículo teria facilitado a criação da corrente de bruxaria alexandriana! Todo este seu impulso de raiva anti-sanders, presente nos seus livros, foi transmitido a inúmeros gardnerianos, tal como o nosso prezado Buckland.

Na verdade, qualquer pessoa que conheça minimamente a história verdadeira de Alex Sanders saberá que o que está presente no Witch Book não passa de uma grande e triste especulação baseada em mentiras e suposições. Mas analisemos!

“[Sanders] foi atraído para a magia negra e permaneceu lá por algum tempo, realizando rituais de adoração ao Diabo” (414).

Na verdade, Alex Sanders, à semelhança de muitos esoteristas sérios, estudou a arte mágica dos grimórios tradicionais, como a magia de Abra-Melin e as práticas de Goetia e Angelical do Claviculas de Salomão. Apesar de o Lesser Key (Goetia) apresentar selos de demónios e técnicas para contactar com os mesmos, nada disso se assemelha às práticas de adoração ao Diabo que tão em voga estavam nessa altura após a formação da Church of Satan pelos movimentos satanistas dessa época. Confundir essas duas práticas, revela fraca compreensão de esoterismo tradicional. Todo este discurso dos “adoradores de Diabo” não passa de um método de auto-defesa usado antigamente pelos Wiccans, para se diferenciarem da imagem da tradicional bruxa adoradora de Satanás! Porém, pergunto-me se terá lógica enegrecer a imagem de Sanders, com objectivos que já não fazem sentido nos tempos de hoje.

“Alex e Maxine separaram-se em 1973 e ele mudou-se para Bexhill-on-Sea, Sussex. Aí ele casou-se de novo e divorciou-se mais uma vez” (415)

Isto não é verdade. Alex Sanders teve apenas dois casamentos civis. A sua primeira mulher que pouco se sabe sobre ela e, mais tarde, com Maxine Sanders.

Ao longo do texto sobre Sanders, o autor de The Witch Book apresenta um discurso baseado na sua pura e fértil imaginação, não dando verdadeira importância a esta figura que marcou e alterou o Wicca Tradicional e que deixou marcas incontornáveis no seio da tradição. Buckland, ao contrário do que fez com “autores” como Silver Raven Wolf, nem sequer teve a delicadeza de colocar uma fotografia de Sanders neste seu texto, dando a entender que não existe qualquer necessidade de imortalizar a memória de Sanders. Curiosamente, Buckland chega ao extremo de inventar familiares a Sanders! Alex nunca, em qualquer altura, afirmou que o nome da sua avó era Medeia e tal afirmação é errónea.

Ainda mais, este autor nunca reconhece, ao longo do seu texto, a existência de um Wicca Tradicional Alexandriano, afirmando apenas que existia simplesmente uma tradição criada por Sanders e composta pelos seus seguidores, os alexandrianos.

Nos últimos meses Raymond Buckland alterou um pouco o seu tipo de escrita. Qualquer pessoa que aceda às notícias deste autor saberá que ele agora se dedica à criação de livros fantasiosos semelhantes ao Senhor dos Anéis. Na nossa opinião, Buckland finalmente descobriu que a verdadeira área onde ele alguma vez se irá adaptar perfeitamente é na ficção.

BB,

Rui de Albuquerque

Published in: on Fevereiro 27, 2009 at 10:50 pm  Deixe um Comentário  
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Helene Hodge in Memoriam

Helena Hodge

Helena Hodge

Ao longo dos tempos, a Craft tem tido lamentáveis perdas no seu seio que tocam a todos os estudantes e praticantes de Wicca Tradicional, mesmo quando não conhecem tais marcos. Na realidade, o núcleo essencial do Wicca, que é composto por figuras chave, tem um peso histórico e arquétipo na nossa tradição, são eles que compõe o castelo dos nossos ancestrais.

Helene Hodge foi uma Alta Sacerdotisa de Wicca Tradicional e foi iniciada nos anos 70 do século passado pelo próprio Alex Sanders, numa altura em que o Wicca se expandia um pouco por todo o mundo. Stephen Skiner, no seu memorial, escreveu que até ao dia da sua passagem, Helene usou a ankh-rose, mostrando a dedicação de uma vida à corrente alexandriana.

Esta Alta Sacerdotisa passou para o castelo dos ancestrais no passado mês de Dezembro, deixando um rasto de saudade a todos o que aprendiam com Helene. Eu conhecia o seu mágico trabalho, directamente do seu projecto Pacock Angel que elaborava incenso litúrgico para todo o tipo de rituais. Significativas também foram as suas várias publicações, principalmente em diversas revistas inglesas.

Nada mais posso dizer do que deixar um grande “Blessed Be” a esta Sacerdotisa que deixa um pequeno aperto no coração de todos nós, lembrando-nos o quão efémera é a vida e de tão próximos são os limiares desde e do Outro Lado.

Para os interessados, podem ler um memorial dedicado a Helene Hodge, aqui: http://www.peacockangel.net/

Blessed Be Helene,

Rui de Albuquerque

Published in: on Fevereiro 8, 2009 at 8:22 pm  Deixe um Comentário  
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